©
E as máquinas de entranhas abertas, e os cadáveres ainda armados, e a terra com suas flores ardendo, e os rios espavoridos como tigres, com suas máculas, e este mar desvairado de incêndios e náufragos, e a lua alucinada de seu testemunho, e nós e vós, imunes, chorando, apenas, sobre fotografias, — tudo é um natural armar e desarmar de andaimes entre tempos vagarosos, sonhando arquiteturas.

“Eu queria escrever um poema sobre seus olhos, mas lembrei que sou péssima com poesia e que, embora eu sofra da tristeza dos poetas, meu palavreado é muito chulo para que eu seja um deles. Eu queria escrever um poema sobre seus olhos, porque são os olhos mais bonitos que eu já vi. Adoro a forma como a luz entra neles, adoro o castanho em que Renato Russo previu a tempestade. Eu adoro seus olhos. Adoro seus olhos. Eles sorriem mesmo quando sua boca não se move, eles me olham com fome e tantas vezes me engolem. Seus olhos me amam, me puxam, me abraçam. Eu poderia morar aí, mas não poderia escrever um poema sobre eles. Você pode aceitar isso assim? Sem rimas, versos, estrofes ou métricas? Parece um pouco nosso amor, um tanto confuso, bagunçado, uma prosa gostosa de se entregar. Eu adoro seus olhos e adoro você, mesmo sem saber escrever poesia. Continue deixando seus olhos em mim, vez ou outra.”

com todas as minhas constelações de átomos,
meu universo de sinapses,
meus montes de células e tecidos,
eu amo você.
eu amo você.

de manhã

o amor acontece cedo
e eu só tardo.

eu tenho uma coisa estranha de não saber estar feliz direito. é meio desconfortável. mas eu ainda me sinto muito bem com tudo. com todas as coisas. desse jeito mesmo é bizarro. porque é como se o céu tivesse na minha mão e o inferno no peito. será que te incomoda também o amor? será que te dói nessa mesma proporção? você se sente incrível no fim do dia mas horrível entre o passar das horas entre hoje e amanhã. é aquele desespero típico, de quem tem fé em tudo mas desconfia de todas as coisas. é oco. é louco. é humano.

yas

Eu sou o caos, a sombra escondida na penumbra da noite, sou o devasso, o promiscuo, sou amante dos amantes, sou a fantasia não realizada criada por mentes cansadas, sou o maior segredo de todos os tempos, eu sou a destruição. Masquei meu próprio coração, o sangue transborda por minha face agora corada, eu me amo, e este é o meu maior mistério, sou resguardado, e o meu coração dou a quem merecer, a quem eu quiser, tento esconder, mas tudo isso é uma mentira, eu sou a própria desilusão dos amantes mal amados, escondido nas sombras inócuas de um sorriso, estou apenas fingindo.
Os sentimentos que eu nunca lhe falei.  

Eu semeio
caos, nas raízes
do meu amor.

Não me prometa, baby, as estrelas e todo este céu brilhante, se teus olhos não pescarem constelações. Eu aprendi a gostar da morte quando senti que é inevitável, assim como os desafetos e o não-amor que carreguei até aqui. Não, eu não estou lutando, e nem quero lutar por amor algum, porque força é uma coisa - ou habilidade - de se reconstruir, e eu sou fraco e só, dentro das minhas convicções fajutas e dentro dos meus medos de servir como um fantoche ou desloque emocional. Eu quero ser mais do que isso. Eu quero ser céu, baby, eu quero ser seu.
Igor Pires.
O café. Eu sou o café. Ás vezes sou amargo, ás vezes doce. Ás vezes quente demais, ás vezes frio. Ás vezes bebido pela metade, ás vezes esquecido. Ás vezes pecando em doçura, ás vezes pecando em amargura. Ás vezes servido acompanhado, ás vezes sozinho.
Bruno Grey. 
1 2 3 »