i. ii. iii. iv.
o inverno não é eterno, só a dor.

 —  forth

mas também entendi que depois me canso, tá tudo bem em ir embora. já estou um pouco acostumada com isso. fico olhando toda aquelas trilhas criadas no meio da praça, no meio da grama, é como se uma multidão passasse por lá todos os dias e passasse com pressa, é isso que tenho que entender também, que as vezes as pessoas passam com pressa e não se pode fazê-las se acalmarem. é meio perturbador no começo, eu me sinto bastante sozinha ainda, mas a gente passa a se acostumar com isso, assim como nos acostumamos com os barulhos no meio da madrugada ou aos gatos fazendo barulho em cima do telhado. volte para casa ou para qualquer lugar em que sinta-se bem, não encha a cara, não rebole a bunda, se permita ficar sóbrio e aceitar que algumas pessoas estão com pressa demais para nos esperar ou até mesmo, sei lá, fazer qualquer coisa.

1 . 11

1 . 11

Depois dos 12 anos, todos ficamos quebrados, e até o momento da morte buscamos insaciavelmente um reparo, tentamos nos reconstruir, e lutamos até o fim pela nossa reconstrução, a vida nada mais é do que uma reforma constante, somos carnes e ossos em obras, somos humanos em fabricação.

—  Gravetos - Sometimes you don’t say goodbye once. 

1 . 11

te amar dói, meu bem,
e de dor
já basta o que sou.

1 . 11

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De vez em quando me sinto como Maiakóvski e pondero as possibilidades de reproduzir sua sentença e puxar o gatilho para calar o meu coração recém desiludido. Outrora me identifico com Pavese, reconheço que sou uma assassina tímida que nunca causou dor alguma que não fosse em mim mesma, tratando com conformismo do masoquismo e horas que não irei viver e, sabe, está tudo bem se isso acabar antes dos versos terem pontos finais. Mas, enfim, decido que sou como Eleanor Marx que até os últimos suspiros irá bradar sobre o amor, mesmo que seja um amor triste, preciso anunciar que mesmo que chegue ao fim continua sendo amor. Eu entendo através de facetas confusas de terceiros que eu não tenho a qualidade de uma poeta, então me chame de linhas tortas ou apenas de versos, porque se eu não posso ser poeta, por favor, me permita ser poesia.

1 . 11

nem os livros
nem os terapeutas
nem os discos
nada explica
tudo o que se move aqui dento
quando você me olha

Ryane Leão.

1 . 11

1 . 11

danger:
“ Storms by Noukka Signe
”

1 . 11

Preciso admitir que minha vida não seria a mesma, se não tivesse feito escolhas erradas, aprendi errando, e vou errar muito ainda. A cada pessoa que me magoou, me trocou, me machucou, hoje eu agradeço, se não fosse por essas pessoas eu jamais seria quem sou hoje, jamais entenderia que pra amadurecer e crescer temos que nos machucar, temos que ver a vida de outros ângulos, mesmo quando pensamos em desistir dela, graças a pessoas que erraram comigo, agradeço por terem feito parte da minha vida, por terem me ajudado a amadurecer e ser quem sou hoje, a vocês um obrigado.

—  Anna Paula Varella.

1 . 11

Essa vida viu, Zé. Pode ser boa que é uma coisa. Já chorei muito, já doeu muito esse coração. Mas agora tô, ó, tá vendo? De pedra. Nem pena do mundo eu consigo mais sentir. Minha pureza era linda, Zé, mas ninguém entendia ela, ninguém acolhia ela. Todo mundo só abusava dela. Agora ninguém mais abusa da minha alma pelo simples fato de que eu não tenho mais alma nenhuma. Já era, Zé. É isso que chamam de ser esperto? Nossa, então eu sou uma ninja. Bate aqui no meu peito, Zé? Sentiu o barulho de granito? Quebrou o braço, Zé? Desculpa!

—  Tati Bernardi. 

1 . 10

1 . 10

Eu preciso de você. Não posso mais esconder, negar que eu não sinto a sua falta e que não penso em nós. Cada milimetro do meu corpo implora pelo seu toque. As horas se arrastam sem você aqui e eu não sei mais o que fazer. Estou perdida. Perdida em um mundo que eu criei para nós e que agora só eu faço parte. Eu olho ao redor e tudo esta sumindo, desde a sua partida. Eu também. Por que eu não existo longe de você. Eu preciso dos carinhos, dos beijos, das palavras de amor, do cheiro… Eu preciso de você. De novo. Eu me tornei tão dependente de você, que eu já não me reconheço mais e isso me assusta. Dói o coração e a alma. E eu sei que todo mundo é livre e eu não posso te prender. Mas eu queria te aconchegar no meu abraço e não te soltar nunca mais. Volta para os meus dias e enche eles de alegria. Vamos caminhar de mãos dadas, tomar um sorvete na praça e admirar o por do sol no cais. Volta para mim, volta para os meus (a)braços. Vem e faz morada em mim.

—  Nessa Cross.

1 . 10

thunder:
“by Lars Wästfelt
”

1 . 10